Daniel Miller é um dos principais pesquisadores interessados na investigação das relações estabelecidas pelas pessoas no e através do Facebook – ele direciona seus esforços de pesquisa na aplicação de técnicas da Antropologia, como a etnografia, para buscar compreender esses espaços de interação e suas ligações com o que ocorre fora dali. Nessa entrevista, ele fala um pouco sobre o lançamento de Tales from Facebook, em 2011, e por que o Facebook interessa às pesquisas na Antropologia, além de como esse site de rede social impacta a vida das pessoas fora da internet.

Visualizing Facebook  é outro projeto de Miller, trata-se de e-book de uma coleção de nove livros que o pesquisador e sua equipe se debruçaram para produzir ao desenvolver pesquisas com técnicas etnográficas aplicadas aos ambientes digitais. Nesse trabalho, em co-autoria com Jolynna Sinanan, eles tratam da análise das imagens no Facebook – a preponderância de publicações com fotos, os impactos na compreensão e na produção da mensagem e na vida e nas relações das pessoas dentro fora do Facebook. Estou produzindo um resumo sobre esse trabalho e trarei em breve para esse blog.

A etnografia é um método das Ciências Sociais utilizado para o estudo da cultura de grupos específicos dentro da sociedade. E tem sido cada vez mais comum, nos últimos anos, ouvir falar em etnografia digital ou netnografia, muito por conta das possibilidades de estudar grupos dentro dos ambientes digitais.

Acontece que a etnografia (ou netnografia, como principalmente alguns estão chamando e vendendo) não é apenas coletar e ler os comentários de uma ou mais páginas, de grupos no Facebook ou de menções no Twitter. A etnografia aplicada às mídias sociais requer também um planejamento, a aplicação de um método, conhecimentos específicos sobre a coleta de dados de cada mídia, a organização desses dados e a descrição dos comportamentos observados. Esses comportamentos estão relacionados a aspectos culturais, que, por sua vez, passam por costumes, crenças, hábitos, modos de ser e estar inserido nos grupos etc.

Nas mídias sociais existem boas oportunidades para esses estudos, uma vez que conseguimos coletar e armazenar dados observados nos campos de interação social nos ambientes digitais. E muitas marcas estão aprendendo sobre a importância da etnografia nesses espaços para entender melhor seu consumidor, seus interesses, buscar oportunidades para diálogos, encontrar outras e diferentes formas de interagir com eles, entre outras.

Começa no próximo dia 22 de janeiro, na ESPM-Rio, o curso Etnografia aplicada às Mídias Sociais. Esse é um curso recomendado principalmente para quem gosta, já trabalha ou quer trabalhar com pesquisas, entre elas pesquisas com dados de mídias sociais. E também para quem atua em áreas estratégicas de empresas e agências, como planejamento e BI (Business Intelligence). Conhecer as dinâmicas de relacionamentos e conexões, os grupos e comunidades e identificar traços ou tendências de comportamento são fundamentais para subsidiar decisões estratégicas para marcas e organizações. Vamos tratar desses temas durante as aulas.

Acesse o programa completo do curso. As aulas serão às segundas e quartas e começam em 22 de janeiro.

Etnografia aplicada às Mídias Sociais – 22/01 a 31/01 – segundas e quartas – 19h às 22h.

Mais informações: ESPM- RIO