influenciadoras-digitais_Julia-Faria-Camila-Coutinho-Camila-Coelho-and-Thassia-NavesNos últimos anos, vimos crescer a quantidade de marcas que passaram a contratar os tais e conhecidos “influenciadores” para suas estratégias de marketing e de comunicação. Mas, afinal de contas, o que é influenciador? Como ele é capaz de mobilizar e engajar pessoas? É possível mensurar o retorno sobre o investimento feito quando contrato um influenciador para falar da minha marca?

Antes de responder àquelas questões, talvez fosse melhor perguntar: o que é influência? O exponencial crescimento do número de pessoas utilizando mídias sociais – tanto enquanto consumidoras de conteúdo, quanto como produtoras de conteúdo – deu voz a pessoas que se destacam pelo conhecimento que possuem sobre um determinado assunto, pela autoridade reconhecida junto a um ou mais grupos, pela reputação conquistada junto ao público etc. Ou, em outros casos, simplesmente porque faziam algo que chamava atenção (pitoresco, engraçado, fenomenal, extraordinário etc.), porque mostravam um estilo de vida desejado por outras pessoas ou porque cativaram uma audiência de alguma forma especial.

Fato é que não é de agora que pesquisadores discutem sobre influência, seja através dos meios de comunicação ou com porta-vozes (pessoas, indivíduos) nesses meios e fora deles. Há pesquisas que datam da década de 40 e que discutem sobre a capacidade de uma pessoa influenciar outras pessoas e grupos. À época o termo mais conhecido era ‘líderes de opinião’ (Lazarsfeld, 1944); em seguida, outros pesquisadores contrapunham o termo buscando compreender o que denominaram de “influência social” (Milgram, 1974).

Se a área de pesquisa já mirava o estudo dos influenciadores há mais de setenta anos, por que só nos últimos anos passamos a falar e a ouvir tanto sobre isso? Porque as mídias sociais deram notoriedade a muitas pessoas que não tinham a possibilidade de aparecer para o grande público, uma vez que o acesso através dos meios de comunicação (TV, rádio, jornal, revistas) era limitado. Não era todo mundo que podia se tornar uma celebridade de uma hora para outra. A internet e as mídias digitais possibilitaram a dispersão do polo da produção midiática, permitindo que pessoas comuns passassem a gravar, editar e publicar conteúdo nas mídias sociais, mostrando esse conteúdo para tantas outras pessoas também presentes nesses ambientes digitais. E sem necessidade de equipamentos muito sofisticados, pois em alguns casos basta um smartphone.

Sendo assim, se tanta gente pode falar o que quiser, se tanta gente pode ter seguidores e fãs (em alguns casos até comprar seguidores é fácil; tem no Mercado Livre), se tanta gente se autodenomina “influenciador”, como vou fazer para escolher e trabalhar com aqueles que podem de fato engajar o público com meu produto/serviço/negócio? O número de seguidores é suficiente? Se ele aparece na TV significa que pode ser um bom influenciador? Se outras marcas já contrataram aquela pessoa, será que ela pode dar certo falando da minha marca também?

Em geral, o número de fãs e seguidores é o que mais tem sido utilizado para selecionar ~influenciadores ~ na internet. Em outros casos, é o fato de a pessoa ser celebridade ou aparecer nos meios de comunicação tradicionais – a TV legitimaria a autoridade e a influência dessa pessoa. Será? Trabalhar com influenciadores é investir em pesquisa, em análise, em compreender o público e como ele se comporta com o uso da internet e das tecnologias digitais. Por falta de tempo, de interesse, de investimento – ou por incapacidade e desinteresse por desenvolver um trabalho mais sério – algumas marcas se deixam levar pelo que diz-que-me-diz sem fundamento que corre solto no mercado indicando que o melhor investimento é escolher quem tem mais seguidores e aparece na televisão e em sites e portais. Muitas vezes sem uma pesquisa mais aprofundada para entender a afinidade da pessoa com a marca ou produto, se deixam levar pelas métricas de vaidade e querem pagar um declarado usuário de Iphone para falar do novo Sony ou Samsung.

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É por isso que é necessário investir mais tempo em conhecimento, em pesquisa, em análise de influência, autoridade e reputação. É preciso investir na capacidade e na habilidade de profissionais aptos para uma análise minuciosa para a seleção dos influenciadores, mas também para a mensuração dos resultados. Sim, é preciso e é possível realizar a avaliação do retorno sobre o investimento.

Monitoramento de mídias sociais, análise de redes sociais, etnografia aplicada às mídias sociais, todas essas são técnicas e estratégias que devem receber atenção antes de sair distribuindo seus kits, produtos e seu dinheiro para qualquer pessoa falar sobre sua marca ou seu produto. Afinal, “digital influencer” é profissão? Devo confiar em quem se intitula influenciador na bio do Instagram? Ou existe uma camada mais profunda de pesquisa em que é necessário entrar para decidir de forma mais inteligente onde investir a verba da campanha da marca?

Esses são alguns dos temas que discutiremos no curso Influenciadores Digitais: seleção e avaliação do retorno sobre o investimento, que acontece nos dias 04 e 06/12, na ESPM-Rio. O objetivo é apontar alternativas, metodologias e métricas para desde a seleção até a avaliação dos resultados. Vamos usar também uma funcionalidade recém-lançada pela Stilingue que é a Central de Influenciadores.

Nos últimos anos, trabalhei como consultor atendendo marcas que desenvolvem estratégias com influenciadores e pretendo compartilhar o que aprendi, quais foram os acertos, os erros, os ajustes necessários e o que podemos fazer para não cair na pegadinha do ~digital influencer~. Afinal, nunca foi tão fácil ser “Figura pública” quanto desde que o Instagram criou a conta comercial para perfis.

Influenciadores digitais: seleção e avaliação do retorno sobre o investimento

Datas: 04 e 06/12 – de 19h às 22h.

Investimento: R$360,00 (à vista ou parcelado em até 6x sem juros)

Local: ESPM – RIo – Rua do Rosário, 90 – Centro

Programa do curso (clique aqui)